A Serpente de Bronze Levantada

Charles Spurgeon

Domingo de 19 de Outubro de 1879,
Pregado por Charles Spurgeon, no Tabernáculo Metropolitano,
Newington.

“E Moisés fez uma serpente de metal, e pô-la sobre uma haste; e
sucedia que, picando alguma serpente a alguém, quando esse
olhava para a serpente de metal, vivia.” (Nm 21:9)
Este sermão, quando impresso, virá a ser o número 1500 dos que têm sido
publicados com regularidade, semana após semana. Esse é um feito
extraordinário. Não conheço nenhum outro caso em que 1500 sermões tenham
sido impressos e tenham conseguido atrair um grande número de leitores.
Desejo expressar meu profundo agradecimento a Deus por sua Divina ajuda em
conceber e expressar esses sermões, que não foram somente impressos, mas
lidos com avidez e também traduzidos para outras línguas. Eles são lidos
publicamente, neste mesmo domingo, e em centenas de outros lugares onde não
se tem um ministro. Esses sermões são benção para conversão de muitas almas.
Posso – e devo – regozijar-me por essa grande benção, pois a atribuo, de todo
coração, à graça do Senhor! Pensei que a melhor forma de demonstrar meu
agradecimento seria pregar Jesus Cristo, de novo, e apresentar um Evangelho
claro como a alfabetização de uma criança. Espero que ao completar a lista de
1500 sermões o Senhor me dê uma palavra muito mais abençoada que qualquer
uma que as tenha precedido, para conversão de quem ouvi-la e lê-la. Que os que
presidem na escuridão por não entenderem a liberdade da salvação e o método
fácil pelo qual ela é obtida, sejam levados à luz pela descoberta do caminho de
paz através da fé em Jesus. Perdoe-me por essa introdução: meu agradecimento
não poderia me abster disso.
Com respeito ao nosso texto e a serpente de metal, se nos voltarmos ao
Evangelho de João, notaremos que em seu início há uma espécie de lista
ordenada de servos tirados da Santa Escritura. Isso começa com a criação. Deus
disse: “Haja luz” e João diz que Jesus, o Verbo eterno, é “a luz verdadeira que
ilumina todo homem que vem a este mundo”. Antes de terminar seu primeiro
capítulo, João introduziu um modelo fornecido por Abel, pois quando [João] Batista viu Jesus chegando-se a ele, disse: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o
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pecado do mundo” (Jo 1:29). Nem é terminado esse capítulo e nos lembramos
da escada de Jacó, descobrimos que o Senhor a explica a Natanael: “Na verdade
vos digo que daqui em diante vereis o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e
descendo sobre o Filho do homem.” (Jo 1:51).
Chegando ao terceiro capítulo, chegamos tão longe quanto Israel no deserto e
lemos as jubilosas palavras: “E, como Moisés levantou a serpente no deserto,
assim importa que o Filho do homem seja levantado para que todo o que n‟Ele
crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3:14,15). Falaremos desse ato de
Moisés esta manhã, para que possamos observar a serpente e encontrar a
promessa verdadeira, “aquele que for mordido, olhando para a serpente de
metal, viverá”.
Pode ser que em você que já tenha olhado alguma vez, produza um benefício
renovado, enquanto alguns que nunca o fizeram podem contemplar o Salvador
erguido e, nesta manhã, podem ser salvos do veneno da serpente, desse veneno
mortal de pecado que agora se infiltra em sua natureza e gera a morte de suas
almas. Que o Senhor possa fazer essa palavra eficaz para seu misericordioso
fim!

1) Convido você a considerar o assinto, primeiramente, olhando a PESSOA EM
PERIGO MORTAL, para qual a serpente de metal foi feita e erguida. Nosso texto
diz: “e sucedia que, picando alguma serpente a alguém, quando esse olhava para
a serpente de metal, vivia” (Nm 21:9). Notemos que as serpentes venenosas,
antes de tudo, chegaram até o meio do povo porque eles haviam desprezado o
caminho e o pão de Deus. “O povo ficava cada vez mais desencorajado por causa
do caminho” (-). Esse era o caminho de Deus – Ele o havia escolhido para eles e
Ele havia escolhido em sabedoria e misericórdia – porém eles murmuravam
disso.
Como dizia um velho teólogo: “era solitário e detestável”, mas ainda assim era o
caminho de Deus, então não foi detestável – Sua coluna de fogo e sua nuvem foi
adiante deles e de seus servos, Moisés e Arão os guiaram como um rebanho –
eles os devem ter seguido alegremente. Cada passo de sua jornada fora guiado
com retidão, também. Mas não, eles desprezaram o caminho de Deus e
quiseram seguir seus próprios caminhos. Essa é uma das maiores idiotices do
homem- não se
contentar em esperar o caminho do Senhor e prosseguir nele – preferir um
desejo e um caminho próprio.
O povo ainda reclamou do alimento que Deus proveu. Ele os deu a melhor parte,
pois “o homem comeu comida dos anjos‟‟ (Sl 78:25), mas se referiram ao maná
como um título ultrajante, que para os hebreus tem um ar de „ridículo‟, e até na
nossa tradução conduz à uma idéia de desprezo. Disseram: “e a nossa alma tem
fastio deste pão tão vil” (Nm 21:5), achando eles que era uma comida não
substancial e que só serviria para inchá-los, já que era de fácil digestão e não
produziria neles o aquecimento e a tendência de se procriar doenças (o que uma
dieta mais pesada produziria). Descontentes com seu Deus, eles reclamaram do
pão que Ele colocou em suas mesas, que sobrepujava qualquer outro alimento
que um homem já havia comido antes ou depois.
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Outra tolice do homem- ele se recusa a se alimentar da Palavra de Deus e de
acreditar na Verdade. O homem deseja o alimento pecaminoso da razão carnal,
o alho das tradições supersticiosas e o pepino da especulação! Ele não pode se
humilhar e acreditar na Palavra de Deus ou aceitar uma Verdade tão simples,
tão adequada à capacidade de uma criança. Muitos exigem algo mais fundo que
o Divino, mais profundo que o infinito, mais liberal que a Graça. Eles discutem
com o caminho e o pão de Deus e, então, as serpentes venenosas de luxúria,
orgulho e pecado se achegam até eles.
Talvez eu esteja falando com alguns que, até esse momento, que relutam contra
os preceitos e doutrinas do Senhor e eu, carinhosamente, os informaria que essa
desobediência e presunção os irão conduzir ao pecado e sofrimento. Rebeldes
contra Deus estão aptos a tornar-se cada vez pior. As modas e maneiras do
mundo pensar o conduzem ao vício e crimes. Se desejarmos os frutos do Egito,
em breve sentiremos as serpentes do Egito! A conseqüência natural de tornar-se
contra Deus como serpentes, é encontrar serpentes surpreendendo nosso
caminho. Se abandonarmos o Senhor em espírito, ou em doutrina, as tentações
irão nos espreitar e o pecado nos picará.
Eu lhe peço que observe cuidadosamente que aquelas pessoas para quem a
serpente foi erguida já haviam sido mordidas pelas serpentes. O Senhor mandou
serpentes venenosas, mas não foram as serpentes no meio deles que envolveu o
erguimento da serpente de bronze- foi o fato delas terem envenenado o povo, o
que exigiu a provisão de um remédio: “e sucedia que, picando alguma serpente a
alguém, quando esse olhava para a serpente de metal, vivia.” (Nm 21:9). As
únicas pessoas que
olharam e provaram do benefício dessa maravilhosa cura levantada no meio do
acampamento foram as que haviam sido picadas pelas víboras.
A noção comum é que salvação é para as pessoas boas, as que lutam contra as
tentações e para os que estão espiritualmente sadios. Mas como é diferente da
Palavra de Deus! O remédio de Deus é para os doentes e Sua cura é para os
necessitados! A Graça de Deus, através da Expiação de nosso Senhor Jesus
Cristo, é para quem é real e seriamente culpado. Não pregamos uma salvação
sentimental, de uma culpa inconcebível, mas perdão real e verdadeiro para
ofensas reais! Não ligo para falsos pecadores- você que nunca fez nada errado,
você que é tão bom que está sempre certo, eu te deixo- pois eu prego para os que
estão cheios de pecados e são dignos da ira eterna!
A serpente de bronze era um remédio para os que haviam sido picados. Que
terrível coisa ser picado por uma serpente! Eu ouso dizer que alguns de vocês
lembram o caso de Gurling, um dos guardadores de répteis do Zoological
Gardens. Aconteceu em outubro de 1852, então alguns de vocês lembrarão isso.
Esse triste homem acabava de se despedir de um amigo que iria à Austrália e, de
acordo com muitos, ele tomou uns drinks com seu amigo. Bebeu quantias
consideráveis de gim e ficaria aborrecido se alguém o chamasse bêbado, embora
razão e senso comum tenham vencido.
Ele voltou para seu posto embriagado. Ele havia visto alguns meses antes, uma
exibição de encantamento de serpentes, o que ainda permanecia em sua pobre e
bagunçada mente. Ele seguiu os passos dos egípcios e começou a brincar com as
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serpentes! Primeiro ele tirou uma serpente de Marrocos da jaula, colocou ao
redor de seu pescoço e a enroscou e permitiu que ela rodeasse seu corpo.
Felizmente, pra ele, o assistente gritou para ele: „pelo amor de Deus! Coloque a
cora em seu lugar!‟, porém o tolo homem respondeu: „estou inspirado‟.
Essa serpente mortal estava de alguma maneira, entorpecida pelo calor da noite
anterior, então o homem imprudente a colocou em seu peito até ela despertar e
deslizar-se até chegar à parte detrás de seu colete. Ele a pegou pelo corpo, com
um pé de distância da cabeça, e com a outra mão aí a agarrou um pouco mais
abaixo (tentando sustentá-la pela cauda)
para fazê-la girar por sua cabeça. Sustentou-a por instante contra seu rosto e,
como um raio, a serpente o picou entre seus olhos. O sangue
começou a escorrer por sua face e pediu por socorro, mas seu companheiro
fugiu horrorizado!
Como declarou ao júri, não sabia por quanto tempo ficou ausente, pois estava
perplexo. Quando assistência chegou, Gurling estava sentado em uma cadeira e
com a serpente devolvida a seu lugar. Ele disse: ‟sou um homem morto‟.
Puseram-no em um táxi o levaram ao hospital. Primeiramente, não consegui
falar- somente apontava para sua garganta e gemia. Depois, sua visão falhou e
por último sua audição. Sua pulsação foi caindo gradualmente e uma hora
depois da fatalidade, ele era um cadáver. Havia apenas uma pequena marca em
seu nariz, mas o veneno se espalhou por seu corpo e ele era um homem morto.
Conto-lhe essa história, pois você poderá usá-las como uma parábola e aprender
a nunca brincar com pecado e também para mostrar-lhe vividamente o que é ser
mordido por uma serpente. Suponha que Gurling pudesse ter sido curado ao
olhar um pedaço de metal- isso não seria uma ótima notícia para ele? Não houve
nenhum remédio para essa pobre criatura encantada, mas há um remédio pra
você! Par os homens que foram picados por essa serpente brilhante do pecado:
Jesus é erguido- não só para você que brinca com a serpente, não só para você
que a colocou em seu peito e a viu escorregar por sua carne- mas para você que
está realmente picado e mortalmente ferido! Se algum homem for picado e
chegue a ponto de ficar doente com o pecado e sentir o veneno mortal em seu
sangue, isso é pra ele que Jesus é apresentado hoje. Apesar de ele pensar que é
um caso extremo, é para esses que a Graça Soberana de Deus é um remédio!
A picada da serpente foi dolorida. Nesse texto, é dito que as serpentes são
„ardentes‟, uma palavra que se refere à sua cor, entretanto mais provavelmente
faz referência aos efeitos destrutivos de seu veneno. Ele aquece e inflama o
sangue em tão cada veia se torna um rio em ebulição, crescendo com aflição. Em
algumas pessoas que o veneno de víboras que chamamos de pecado inflamou
suas mentes. Eles estão sem descanso, descontentes e cheios de medo e
angústias. Eles escrevem sua própria condenação- eles têm certeza que estão
perdidos- recusam todas as notícias de ajuda. Não se pode esperar que prestem
uma atenção calma e sóbria à mensagem da Graça. O pecado os atemoriza tanto
que se rendem como homens mortos. Eles estão em sua
apreensão, como Davi diz: “Livre entre os mortos, como os feridos de morte que
jazem na sepultura, dos quais Te não lembras mais” (Sl 88:5).
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Para os homens picados pela serpente ardente que a serpente de bronze foi
erguida e é para os homens realmente envenenados pelo pecado que Jesus é
pregado. Jesus morreu por aqueles que estão completamente desesperados- por
aqueles que não podem pensar retamente, por aqueles que sua mente é
sacudida de cima a baixo, por quem já está condenado- por esses o Filho do
Homem foi erguido na cruz! Que coisa maravilhosa que podemos te falar hoje. A
picada dessas serpentes, eu já disse, era mortal. Os Israelitas não tiveram
dúvidas sobre isso, porque em sua presença, “muitas pessoas de Israel
morreram”. Eles viram muitos de seus amigos morrerem da picada das
serpentes e ajudaram a enterrá-los. Eles sabiam por que os outros estavam
morrendo e tinham certeza que era por causa do veneno das serpentes ardentes
que estava em suas veias. Não tinham nenhuma desculpa para imaginarem que
seriam mordidos e, ainda sim, viveriam.
Agora sabemos que muito pereceram como resultado do pecado. Não temos
dúvidas do que o pecado pode fazer, pois a Palavra Infalível nos ensina que “o
salário do pecado é a morte” (Rm 6:23), e ainda, “o pecado, sendo consumado,
gera a morte.” (Tg 1:15). Também sabemos que essa morte é o sofrimento sem
fim, para qual a Escritura descreve quando os perdidos são jogados em
profunda treva, “porque o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará”
(Is 66:24). Nosso Senhor Jesus nos fala dos condenados que irão para o juízo
eterno, onde haverá choro, gemidos e ranger de dentes. Não devemos ter
nenhuma dúvida quanto a isso! Mas os que dizem duvidar disso são os que
temem que isso seja para eles- eles sabem que irão para a eterna desgraça,
então, eles fecham os olhos para fingir não ver sua inevitável maldição.
Ah, que terrível é que encontrem lisonjeadores nos púlpitos que estimulam seu
amor pelo pecado e tocam a mesma melodia. Nós não somos dessa classe.
Acreditamos no que o Senhor falou em sua toda sua solenidade de temor, e,
conhecendo o temor do Senhor, nós persuadimos os homens a escapar disso.
Mas isso é para quem sofreu a picada mortal, para sobre cujos rostos pálidos a
morte começava a por seu selo, para os homens cujas veias estavam ardendo por
dentro – para eles era o que Deus falou a Moisés: “Faze-te uma serpente
ardente, e põe-na sobre uma haste; e será que viverá todo o que, tendo sido
picado, olhar para ela” (Nm 21:8).
Não há nenhum limite para a etapa do envenenamento. Não importava quanto
tempo tivesse passado o remédio ainda fazia efeito! Se uma pessoa fosse
mordida instantes antes e só visse algumas gotas brotando, e só tivesse sentindo
uma pequena dor, ela olhava a serpente e vivia! E se, infelizmente, tivesse
esperado, por meia hora, com a voz começando a falhar e sua pulsação caindo,
se ele somente conseguisse olhar para a serpente, viveria! Não se estabeleceu
nenhum limite para o poder desse remédio Divino ou para a liberdade de sua
aplicação para os que necessitavam. A promessa não tinha nenhuma clausula
condicional: “e sucedia que, picando alguma serpente a alguém, quando esse
olhava para a serpente de metal, vivia.”.
Em nosso texto vemos que promessa de Deus acontecia em todo caso, sem
exceção, onde lemos: “picando alguma serpente a alguém, quando esse olhava
para a serpente de metal, vivia.”. Assim, então, descrevi a pessoa que se
encontrava em perigo mortal.
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2) Segundo: vamos considerar o REMÉDIO PROVIDO PARA ESSA PESSOA.
Ele foi único e eficaz. Era puramente de origem divina e é claro que sua
invenção e o poder que tinha nele era inteiramente de Deus. Homens
prescreveram muitos remédios, decocções e operações para a picada de serpente
– não sei de que tanto de depende deles, mas sei isso: preferiria não ser mordido
para não ter que provar de nenhum deles, incluindo os que estão em moda!
Para as mordidas das serpentes ardentes no deserto não havia qualquer remédio
que fosse exceto o que Deus havia mandado, e à primeira vista, era um remédio
bem incomum. Uma simples olhada para uma serpente numa haste? Que
improvável que funcione! Como e por que meios poderia a cura efetuar-se
somente olhando para uma serpente? Isso parecia, de fato, ser brincadeira o
fato de a pessoa olhar para o objeto que causou sua desgraça. Acaso se poderia
curar uma picada de serpente olhando para uma delas? Acaso o que traz morte
pode trazer vida? Mas nisto estava a excelência do remédio, que era de origem
divina, pois quando Deus ordena uma cura, está obrigado que haja poder nela.
Ele não conceberá uma falha, nem mandará uma zombaria! Seria suficiente
para nós saber que Deus ordena uma benção, pois Ele ordena, ela obterá o
resultado prometido.
Não necessitamos saber como funcionará, é suficiente para nós que a Graça
poderosa de Deus está comprometida em trazer bem para nossas almas. Esse
particular remédio da serpente erguida numa haste foi sumamente instrutivo,
apesar de achar que Israel não entendeu isso. Temos sido instruídos pelo nosso
Senhor e sabemos seu significado. Era uma serpente imobilizada em uma haste.
Como se pegaria um dardo e o lançaria contra a cabeça da serpente para matála, essa serpente também era exibida como morta e colocada em exibição na
frente de todos. Era a imagem de uma serpente morta. Maior das maravilhas é
nosso Senhor Jesus rebaixado, simbolizado como uma serpente morta!
A instrução para nós, após ler o Evangelho de João, é: nosso Senhor Jesus, em
infinita humilhação, se dignou vir ao mundo e aceitou ser maldição por nós. A
serpente de bronze não tem veneno, em si, mas tomou a forma de uma serpente
venenosa. Cristo não é nenhum pecador e n‟Ele não há nenhum pecado. A
serpente de bronze tinha a forma de uma serpente, assim como Jesus fora
enviado por Deus “em semelhança da carne do pecado” (Rm 8:3). Ele veio
debaixo da Lei e o pecado o fora imputado, então ele veio debaixo da ira e
maldição de Deus pelos nossos pecados. Em Jesus Cristo, se você olhar para a
cruz verá que o pecado está morto e pendurado como um serpente mortatambém ali a morte é abolida, pois “aboliu a morte, e trouxe à luz a vida” (II Tm
1:10)- e ali também a maldição é cancelada para sempre devido ao que suportou,
sendo “maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for
pendurado no madeiro” (Gl 3:13).Assim essas serpentes são penduradas como
espetáculo para todos os espectadores, todas mortas pelo agonizante Senhor. O
pecado, a maldição e a morte são, agora, como serpentes mortas!
Oh, que espetáculo! Se pudesse ver isso, que regozijo seria! Ah, se os hebreus
tivessem entendido isso, que uma serpente pendurada numa haste teria sido
uma profecia do glorioso quadro que nossa fé contempla hoje: Jesus imolado e o
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pecado, a morte e o inferno mortos n‟Ele! O remédio, então, para ser olhado era
sumamente instrutivo e sabemos que a instrução pretendia nos convencer.
Por favor, lembre-se que em todo acampamento de Israel havia somente um
remédio para a mordida de serpente, que era a serpente de bronze- e só havia
UMA serpente de bronze, não duas. Israel não faria outra, pois se a tivessem
feito, ela não teria nenhuma utilidade medicinal. Havia uma, somente uma, que
fora levantada bem no meio do acampamento, assim qualquer homem picado
por uma serpente poderia olhar pra ela e viver.
Há um só Salvador. Somente um! Não há outro nome debaixo do Céu pelo qual
podemos obter Salvação. Toda a Graça está concentrada em Jesus, de quem
lemos: “Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse” (Cl
1:19). Cristo suportou a maldição e acabou com ela. Cristo foi picado por uma
serpente em seu calcanhar, mas pisou em sua cabeça e a destruiu: é para esse
Cristo unicamente que devemos olhar
se quisermos viver. Oh, pecador, olhe para Jesus na cruz, Ele que é o único
remédio para qualquer ferida do veneno do pecado!
Havia somente uma serpente que curava naquela época, e ela era brilhante e
lustrosa. Era uma serpente de bronze, e bronze é um metal brilhoso. Tratava-se
de um bronze recém forjado, então não estava embaçado e sempre que o sol
batia nela, brilhava, resplandecia. Podia ter sido uma serpente de madeira ou
qualquer outro material que Deus poderia ter mandado, mas Ele mandou que
fosse de bronze, para que fosse rodeada de brilho.
Que brilho há ao redor de nosso Senhor Jesus Cristo! Se simplesmente o
expusermos em Seu metal verdadeiro, ele será visto pelos olhos humanos. Se
pregarmos o Evangelho somente, sem nos preocuparmos em o adornarmos com
nossas filosofias, haverá brilho suficiente em Cristo para que ele alcance os
pecadores: sim, Ele captura milhares de pessoas! O Evangelho eterno
resplandece a Pessoa de Cristo. Assim como a base da serpente refletia os raios
de sol, Jesus reflete o amor de Deus os pecadores, e eles, vendo isso, olham pela
fé e vivem!
Mais uma vez, esse remédio era duradouro. Era uma serpente de bronze e creio
que ela permaneceu no meio do acampamento desde aquele dia. Não havia mais
utilidade depois que o povo entrou em Canaã, porém enquanto estavam no
deserto, provavelmente ela era mostrada no centro, perto da porta do
Tabernáculo sobre uma base elevada. Elevada e aberta para a contemplação de
todos, pendia a imagem de serpente morta: a perpétua cura para o veneno de
serpente! Se tivesse sido feita de outros materiais, teria quebrado ou caído…
Mas o bronze duraria o tempo em que as serpentes brilhantes fossem pragas no
deserto. Quando um homem fosse picado, ali haveria uma serpente de bronze
para curá-lo.
Que reconfortante saber que Jesus ainda salve o pior dos pecadores que, por
meio d‟Ele, se achegue a Deus, vendo que Ele vive a interceder por nós. Um
ladrão moribundo contemplou o resplendor dessa serpente de bronze quando
olhou Jesus ao seu lado naquela cruz e isso o salvou! De igual maneira, você e eu
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podemos olhar e viver, pois “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e
eternamente” (Hb 13:8).
Desfalecida minha cabeça e enfermo meu coração
Ferido, machucado em toda parte A picada ardente de Satanás
ainda sinto Envenenado com a soberba do Inferno: Porém quando
estou a ponto de morrer Para cima direciono meus olhos E vejo
Jesus erguido Vivo por Ele, que morreu por mim.
Espero não ter encoberto o tópico com essas figuras. Não desejo fazer isso,
entretanto quero mostrá-los claramente. Todos que são realmente culpados, os
que são picados pela serpente, o remédio certo para vocês é olhar para Jesus
Cristo que levou seus pecados sobre Si mesmo e que morreu no lugar dos
pecadores, “se fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de
Deus” (II Co 5:21). Seu único remédio está em Jesus e em nenhum outro lugar.
Olhe para Ele e seja salvo!
3) Isso nos traz, em terceiro lugar, a considerar a APLICAÇÃO DO REMÉDIO
ou o vínculo entre o homem picado e a serpente de bronze que irá curá-lo. O que
era esse vínculo? Era do tipo mais simples que se pode imaginar. A serpente de
bronze poderia ser levada, se ordenado por Deus, à tenda da pessoa que estava
enferma, mas não era assim. O remédio podia ter sido aplicado por fricção: ele
poderia repetir um tipo de oração ou então ter um pastor para fazer a cerimônia.
Mas não tinha nada disso. Era somente olhar!
Era bom que a cura fosse tão simples quanto a freqüência das serpentes naquele
lugar. Picadas de serpente aconteciam de várias maneiras. Um homem poderia
estar recolhendo gravetos ou simplesmente andando e ser mordido. Até hoje
serpentes são um perigo no deserto. O senhor Sibree diz que em uma ocasião ele
viu o que parecia ser uma pedra redonda, lindamente decorada. Ele estendeu
sua mão para pegá-la, quando, para seu horror, ele descobriu que era uma
serpente viva que estava enrolada!
Durante todo dia, quando as serpentes eram enviadas a eles, os israelitas
deveriam estar em perigo. Em suas camas, sua comida, em suas casas e quando
saíam dela estavam em perigo. Essas serpentes são chamadas por Isaías de
“serpentes voadoras, não porque voem, mas porque elas se contraem e, de
repente, saltam e alcançam uma altura considerável e um homem pode ser
surpreendido e atacado em sua perna mesmo estando „longe‟ desses répteis
malignos. O que o homem faria? Ele não podia fazer nada a não ser ficar do lado
de fora de sua tenda e olhar para o lugar que resplandecia à distância o brilho da
serpente de bronze! E, no momento em que olhasse para ela, ele estaria curado!
Não havia nada a fazer a não ser olhar! Não era preciso um pastor, nenhuma
água santa, nenhum abracadabra, nenhum livro de receitas. Nada, a não ser
olhar!
Um bispo da igreja romana disse para um dos primeiros reformadores, quando
pregaram a salvação pela fé: “Oh, doutor! Abra essa lacuna para as pessoas e
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estaremos arruinados!” E, realmente, estão arruinados, pois o negócio e o
comércio de indulgências acabam quando confiamos em Jesus e vivemos.
Pois é assim. Creia n‟Ele, você que é pecador – pois este é o significado espiritual
de „olhar‟- e seus pecados serão perdoados! E ainda mais: seu poder mortal
cessa de operar em seu espírito. Há vida quando olhamos para Jesus! Acaso isso
não é suficientemente simples?
Mas, por favor, note o quão pessoal isso era. Um homem não podia ser curado
por qualquer coisa que alguém fizesse por ele. Se fosse mordido por uma
serpente e se recusasse a olhar para a serpente de bronze e tivesse ido para sua
cama, nenhum médico poderia ajudá-lo. Uma mãe piedosa se ajoelharia e oraria
por ele, mas isso não traria nenhum efeito. Irmãs poderiam vir e clamar;
ministros seriam chamados para orar para que o homem pudesse viver, mas ele
morreria apesar das orações se não olhasse para a serpente de bronze.
Não havia outra saída para sua vida- ele teria que olhar para ela! É o mesmo
com sua vida. Alguns de vocês me escreveram, implorando para que orasse por
seus pedidos. Assim eu fiz, mas isso não significa nada, ao menos que você, por
você mesmo, acredite em Jesus Cristo. Não há no Céu, nem debaixo dele,
nenhuma esperança para nenhum de vocês, a não ser acreditar em Jesus Cristo!
Quem quer que você seja, por mais picado pela serpente que esteja e por perto
que esteja da morte, se você olhar para o seu Salvador, você viverá! Entretanto,
se você não o fizer será condenado, tão certo como vives. No último Grande Dia,
eu devo dar testemunho contra você, pois te alertei direta e claramente: “Quem
crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” (Mc 16:16).
Não há outra ajuda para isso. Podes fazer o que quiseres: juntar-se à igreja que
te agrade, tomar a Santa Ceia do Senhor, ser batizado, aplicar-se severas
penitências, dar todos os seus bens aos pobres.. Mas você estará perdido se não
olhar para Jesus. Não há nada em Sua morte que te salve; não há nada em Sua
vida que te salve, ao menos que confie n‟Ele. É assim: você deve olhar- e olhar
por si mesmo.
E logo, de novo, é muito instrutivo. O que significa esse olhar? Significa: autoajuda deve ser abandonada e deve-se confiar em Deus! O homem ferido diz:
“Não devo sentar-me aqui para olhar minha ferida, pois isso não me salvará. Vê
onde a serpente me picou? O sangue está escorrendo, preto com o veneno!
Como isso queima e incha! Minhas pulsações estão falhando. Mas todas essas
reflexões não me aliviarão. Devo olhar logo ali, a serpente de bronze que foi
levantada. É perda de tempo olhar para o que não é o remédio que Deus
ordenou.
Os israelitas devem ter compreendido: Deus requer que confiemos n‟Ele e que
usemos Seus meios de salvação. Devemos fazer exatamente como nos ordena e
confiar que Ele trará nossa cura- e se não queremos fazer isso, morreremos
eternamente.
Esse meio de cura tinha a intenção de magnificarem o amor de Deus e
atribuírem sua cura inteiramente à Sua Divina Graça. A serpente de bronze não
era uma simples figura, como já mostrei a vocês, em que é mostrado Deus
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quitando o pecado do mundo ao aplicar Sua ira em Seu Filho, mas uma
demonstração do amor divino. E isso sei, pois o próprio Jesus disse: “E, como
Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem
seja levantado. (…)Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu
Filho unigênito” (Jo 3:14,16), mostrando claramente que a morte de Jesus na
cruz foi uma demonstração de amor aos homens e qualquer que olhe para essa
exibição do profundo amor de Deus, ou seja, Sua entrega de Seu filho unigênito
para virar maldição por nós, viverá.
Agora, quando um homem era sarado por olhar a serpente, não podia dizer que
fora curado por si mesmo, pois ele somente olhava, e não havia poder numa
olhada. Um cristão nunca reclama honra ou crédito em razão de sua fé. Onde
está o glorioso crédito simplesmente crer na Verdade e humildemente confiar
em Cristo para que te salve? A fé glorifica a Deus, e, assim, nosso Senhor
escolheu isso como instrumento da nossa salvação.
Se um pregador viesse e tocasse o homem picado, ele poderia atribuir alguma
honra a esse sacerdote. Mas como não havia nenhum sacerdote no caso, e não
havia nenhuma exceção a não ser olhar para serpente, o homem chegava à
conclusão que o poder e amor de Deus o haviam curado.
Não sou salvo por nada que tenha feito, mas o que o Senhor fez. Deus quer que
cheguemos a essa conclusão: se somos salvos, é por Sua livre, rica, soberana e
imerecida Graça, demonstrada na pessoa de Cristo.
4) Permita-me um momento para o quarto tópico, que é a CURA EFETUADA.
O texto nos fala “picando alguma serpente a alguém, quando esse olhava para a
serpente de metal, vivia” (Nm 21:9), o que é dizer que a pessoa era curada de
uma vez. Não tinha que esperar cinco minutos ou cinco segundos.
Querido leitor, você já ouviu isso alguma vez? Se não, eu poderia assustar você,
mas é a verdade. Se você viveu no mais profundo pecado possível até esse
momento, se agora somente crer em Jesus será salvo antes que o relógio sinalize
outra hora. É rápido como um relâmpago! Perdão não é um trabalho de tempo.
Santificação requer uma vida, justificação não passa desse momento. Você crê,
você vive! Você confia em Cristo, seus pecados são apagados! Você é um homem
salvo no momento que crê! “Oh”, diz alguém, “isso é uma maravilha”. E isso é
uma maravilha e será eternamente. Os milagres de nosso Senhor, quando estava
na terra, eram instantâneos na maior parte das vezes. Ele os tocava e os que
tinham febre podiam levantar-se e ministrar a Ele. Nenhum médico pode curar
dessa maneira, pois há uma debilidade resultante dela depois que o calor passa.
Jesus opera curas perfeitas e quem crer n‟Ele, ainda que tenha crido um minuto,
é justificado de todos os seus pecados. Oh, a inigualável Graça de Deus!
Esse remédio salvava uma e outra vez. Muito possivelmente, após um homem
ser curado, ele voltava para seu trabalho e era atacado por uma segunda
serpente, já que havia muitas delas naquele lugar. O que ele poderia fazer?
Olhar outra vez! E se ferido mil vezes, teria que olhar mil vezes.
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Você, amado filho de Deus, se você tem pecado em sua consciência, volte-se pra
Jesus. O caminho mais saudável de viver onde as serpentes abundam, é nunca
tirar seus olhos da serpente de bronze. Ah, vocês, víboras, podem morder se
quiserem, enquanto meus olhos estiverem na serpente de bronze, eu desprezo
suas presas e seu veneno, pois tenho um remédio que trabalha continuamente
em mim! Tentação é vencida pelo sangue de Jesus! “e esta é a vitória que vence
o mundo, a nossa fé” (I Jo 5:4).
Essa cura era de eficácia universal para todos que a usavam. Não havia nenhum
caso, em todo o acampamento, em que um homem olhava para a serpente de
bronze e morria. E não haverá nenhum caso em que um homem olhe para Jesus
e permaneça condenado! Quem crer será salvo. Algumas pessoas tinham que
olhar a uma longa distância- a haste podia não estar eqüidistante de todo
mundo, mas enquanto pudessem vê-la, isso curaria tanto quem estava longe,
como quem estava perto. Tão pouco importava se seus olhos eram defeituosos.
Nem todos tinham uma visão perfeita. Alguns poderiam ser estrábicos, outros
poderiam ter a visão escurecida ou então apenas um olho: mas se eles somente
olhassem, viveriam! Talvez o homem mal pudesse distinguir a forma da
serpente quando olhava para ela e dizia: “oh, não posso ver as curvas da
serpente, mas posso ver seu brilho”. E ele vivia!
Oh, pobre alma, se não pode ver Cristo e Suas maravilhas, nem toda a riqueza
de sua Graça. Porém se pode ver que se tornou pecado por nós, viverá! Se você
diz: “Senhor, eu creio. Ajuda-me com minha incredulidade”, sua fé te salvará!
Uma „pequena‟ fé te dará um grande Cristo e você encontrará vida eterna n‟Ele.
Dessa forma, procurei descrever a cura. Oh, que o Senhor queira operar essa
cura em cada pecador aqui nesse momento. Oro para que Ele o faça! Era um
pensamento agradável que se eles olhassem para a serpente de bronze, debaixo
de qualquer luz, viveriam. Muitos olhavam à luz do meio dia, viam todos os
detalhes e viviam. Porém não me surpreenderia se alguns fossem picados à
noite e, sob a luz da lua, se achegassem à serpente, vivessem. Talvez fosse uma
noite escura e tempestuosa e
nenhuma estrela era visível. A tempestade explodia lá no alto e da escura nuvem
se via um relâmpago partindo as rochas. Pelo esplendor dessa súbita luz, a
pessoa viu a serpente de bronze, e mesmo tendo-a visto por um segundo, passou
a viver. De igual maneira, pecador, se sua alma está envolta na tempestade e se
da nuvem se desprende somente um raio de luz, olhe para Jesus com a ajuda
desse raio e viva!
5) Concluo com essa última parte – aqui há UMA LIÇÃO PARA QUEM AMA A
SEU SENHOR. O que devemos fazer? Devemos imitar Moisés, cuja
responsabilidade foi erguer uma serpente de bronze sobre uma haste. É seu
compromisso e meu também, que levantemos o Evangelho de Cristo para que
todos possam vê-lo! Tudo que Moisés teve que fazer foi levantar a serpente à
vista de todos. Ele não disse: “Arão, traga seu incensório e também muitos
sacerdotes e formem uma nuvem de perfume”. Tão pouco disse: “Eu mesmo
irei, com minhas roupas de quem escreveu as leis, e ficarei lá”. Não, Moisés não
tinha nada que fosse pomposo ou cerimonial. Ele só tinha que exibir a serpente
de bronze, deixando desnuda e à vista de todos. Ele não disse: “Arão, traga uma
roupa de ouro, envolva a serpente em azul e carmesim e em linho fino. Um ato
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assim seria totalmente contrário às ordens. Ele devia manter a serpente
descoberta. Seu poder estava em si mesma, não em que a envolvia. O Senhor
não mandou pintar a haste ou decorá-la com as cores do arco-íris. Oh, não.
Qualquer haste serviria.
As pessoas que estavam à beira da morte, não precisavam ver a hastenecessitavam unicamente contemplar a serpente. Arrisco-me a dizer que ele fez
uma haste nítida, pois a obra de Deus deve ser feita decentemente, mas ainda
assim, a serpente era o objeto que devia ser olhado.
Isso é o que devemos fazer com nosso Senhor. Temos que pregá-lo, ensiná-lo e
fazê-lo visível a todos os olhos! Não devemos escondê-lo em nossas tentativas de
mostrar conhecimento e eloqüência. Temos que parar com essa „faca de dois
gumes‟ que é a eloqüência e essas coisas de azul e carmesim na forma de
grandiosas sentenças e períodos poéticos. Tudo deve ser feito de maneira que
Jesus apareça e nada pode escondê-lo.
Moisés deve ter ido para sua casa dormir quando a serpente foi erguida. O que
importava era que a serpente de bronze estivesse visível tanto de dia, como de
noite. O pregador deve se esconder, de forma que ninguém saiba quem ele é,
quando pregar a Cristo – não se deve ficar no meio do caminho.
Agora vocês professores: ensine Jesus às suas crianças. Mostre a eles Cristo
crucificado. Mantenham Cristo adiante deles. Vocês que são jovens e tentam
pregar, não façam isso grandiosamente. A verdadeira grandeza da pregação
consiste em que Cristo Jesus seja mostrado grandiosamente nela. Nenhuma
outra grandeza é necessária! Mantenham o „eu‟ no chão, e ponham Jesus no
meio do povo, evidentemente crucificado entre eles. Ninguém além de Jesus,
ninguém além de Jesus! Deixe-o ser a suma e a substância de seu ensinamento.
Alguns de vocês olharam para a serpente de bronze, eu sei, e foram curados.
Mas o que você tem feito com ela desde então? Não deram um passo à frente
para confessarem a Jesus e nem procuraram uma igreja para se juntarem. Não
falaram com ninguém sobre sua alma. Colocam a serpente de bronze em um baú
e a escondem. Isso é certo? Tirem-na de lá e a ponham em um lugar alto onde
todos a possam ver! Publiquem Cristo e a Salvação! A intenção não é que Ele
seja tratado como uma curiosidade no museu. A intenção é que ele seja posto
nas calçadas para os que forem mordidos possam olhar para Ele.
“Ah, mas eu não tenho um local apropriado para isso”, alguém diz. O melhor
lugar para se colocar Jesus é aquele que todos possam ver de longe. Exalte
Jesus! Bendiga Seu nome. Quanto mais você louvar o nome do Senhor, quanto
mais alto levantar Seu nome, melhor! Ergam a Cristo!
“Ah, mas eu não tenho um estandarte largo!”, diz um. Então o erga com o que
tens, pois há pessoas de baixa estatura que poderiam vê-lo através de você.
Creio que já falei a vocês sobre um quadro que vi da serpente de bronze. Quero
que os professores da escola dominical escutem isso. O artista representou todo
tipo de pessoa se juntando ao redor da haste e quando olhavam as horríveis
serpentes se desprendiam e viviam! Havia tamanha multidão perto dela que
uma não podia nem se aproximar. Ela carregava um bebezinho, que havia sido
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picado. Você podia ver as marcas azuis do veneno. Como não podia se
aproximar,
essa mãe o levantou bem alto e virou sua cabecinha na direção que pudesse
olhar a serpente de bronze e viver.
Façam isso com suas crianças, professores da escola dominical! Mesmo eles
sendo muito novos ainda, orem para que eles possam ver Jesus e viver, pois não
há idade estabelecida para isso. Anciãos mordidos pela serpente venham
cambaleando sobre suas muletas. “Tenho 80 anos”, diz um, “mas eu olhei para a
serpente de bronze e fui curado!”. Crianças eram trazidas por suas mães, ainda
quando não sabiam falar direito, gritavam com sua linguagem infantil: “eu olho
para a grande serpente de bronze e ela me abençoa”.
Todos ou níveis, sexos, personalidades e toda disposição olhavam e viviam!
Quem vai olhar para Jesus nessa hora maravilhosa? Oh, queridas almas,
querem ter vida ou não? Desprezarão Cristo e morrerão? Se for assim, seu
sangue está em suas próprias mãos! Eu disse a vocês o Caminho de Deus para
salvação! Agarre-se a isso. Olhe para Jesus imediatamente. Que o Espírito te
conduza gentilmente a isso. Amém.
___________
Oro para que o Santo Espírito use esse sermão para trazer muitos ao
conhecimento salvífico de Jesus Cristo.
Tradução: Isabela Carolina
Original em: www.spurgeon.com.mx
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